segunda-feira, 30 de abril de 2012

Exposição filatélica em homenagem ao aniversário da Rádio Havana Cuba

Neste primeiro de maio de 2012 a Rádio Havana Cuba (RHC) completa 51 anos de transmissões para o exterior na faixa das Ondas Curtas.

A RHC surgiu no éter internacional quando Cuba enfrentava uma forte pressão política no ápice da Guerra Fria. Sobretudo durante a tentativa de um golpe militar interno, que ocorreu em 1961 na Baía dos Porcos, arquitetado pelos EUA. Naquela época, a imprensa mundial – encabeçada pelo bloco capitalista – tentou amenizar a participação americana. E passou a atribuir o conflito a um possível desgaste do governo independente, recém criado na ilha de Cuba.

Diante disso, a Rádio Havana Cuba entrou no ar transmitindo em vários idiomas para rebater essas informações na esfera mundial. Tal como se observa no discurso de Fidel Castro durante a inauguração da emissora:

“Cuba já tem uma imprensa de rádio, que já está transmitindo a toda América Latina... Já estão nos ouvindo inúmeros irmãos de América Latina e de todo o mundo... Bom, que sorte que não estamos na época da indigência. Estamos na época do rádio! E as verdades de um país podem chegar a lugares longínquos [...]”

Nessa perspectiva, a Rádio Havana Cuba não apenas noticiou as informações oficiais, mas também contribuiu com uma mensagem alternativa, que favoreceu a formação de opinião da população mundial. Entretanto, sua maior atuação foi durante a Guerra Fria, quando difundiu na sua programação a imagem de um país revolucionário, desenhado a partir da proposta socialista.

Para tanto, a ajuda da antiga União Soviética e do bloco Socialista, tornou-se importantíssima para a implantação da Revolução Cubana na ilha e amenizar os embargos impostos pelos EUA. Atualmente a Rádio Havana Cuba tem sido um canal de cultura, informações e entretenimento. Na opinião de Lafita Fernandes - Chefe de Correspondência Internacional -, fazer a programação da RHC tem sido: "[...] uma importante missão de difundir ao mundo os acontecimentos diários e enfrentar as campanhas midiáticas, que pretendem obscurecer a realidade cubana".


Visando comemorar as cinco décadas de transmissão para o exterior da Rádio Havana Cuba, estamos preparando uma Mostra Filatélica a partir dos selos postais e envelopes de primeiro dia de circulação dos Correios de Cuba. Esses materiais foram obtidos através de vários anos de audiência do programa em língua portuguesa e espanhola “O Mundo da Filatelia”, que vai ao ar todos os domingos pela citada emissora.
Selo postal comemorativo aos 50 anos da RHC (2011)
Acervo: Antonio Argolo.
A Mostra Filatélica vai ser realizada entre 21 a 25/05/12, no espaço principal da Biblioteca Julieta Carteado, Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). É composta de 25 imagens onde são retratados os temas políticos, programas espaciais, cultura, educação, saúde, ícones da Revolução Cubana em série comemorativa dos seus 50 anos... Acredito que essa exposição será de grande importância para conhecermos e refletirmos acerca da história oficial de Cuba, que são contadas a partir da Rádio Havana Cuba e das imagens postais.

Link Rádio Havana Cuba

domingo, 15 de abril de 2012

As festas Pascoais: emissoras internacionais inserem a Quaresma na programação

Cartão QSL do tema culinária equatoriana - Rádio HCJB - A Voz dos Andes (Equador).
Acervo: Antonio Argolo.

Ontem e hoje (14-15/12), foram dias comuns entre a maioria dos cristãos ocidentais. No entanto, para a comunidade Ortodoxa foi uma data importante em que se comemora a Páscoa. A Semana Santa e a Páscoa são ocasiões de grande importância para os cristãos. 

A diferença da celebração desses eventos entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Católica ortodoxa, está ligada, sobretudo, às diferenças entre o calendário romano e o Juliano. Por isso, a Páscoa Ortodoxa sempre é comemorada em data diferente da nossa.

Por se tratar de uma tradição comum às várias culturas, todos os anos as celebrações da Semana Santa e Páscoa estão sempre presentes na sintonia internacional das Ondas Curtas.

Hoje à noite o programa “Rádio Domingo”, da Seção Espanhola da Rádio Romênia Internacional apresentou uma reportagem especial sobre a Páscoa naquele país. De acordo com jornalista Vitória Sepciu a Romênia é um país de religião ortodoxa e a Páscoa é a festa mais esperada por todos: “É uma festa alegre e cheia de cores, graças às flores multicoloridas, dos parques, jardins e dos ovos pintados...”.

No Rádio Domingo foram veiculadas músicas, poesias e mensagens religiosas sobre o tema pascoal, as transformações da vida e natureza. Ainda se informou que as tradições pascoais representam um triunfo da vida sobre a morte. O triunfo de Jesus Cristo que foi crucificado e venceu a morte com sua própria morte. Jesus é o senhor da festa e das festas. Ele veio para aliviar a morte dos mortais e para reconciliar o homem com a morte...

Cristo ressuscitou! Essa é a frase pronunciada pelos romenos à meia noite da sexta-feira santa, enquanto se aguarda à luz de velas a chegada da Páscoa. A tradição também é acompanhada pela comida e ovos pintado em cor vermelha, formas geométricas e com motivos florais. Segundo Vitória Sepciu: “[...] o ovo é o mais antigo símbolo da vida no mundo”. Diz o mito que dois grandes deuses (representados pelo bem e pelo mal) lutam pela posse de um ovo universal, que estava escondido no período de tempo que coincide com a Páscoa.

Sepciu comentou sobre a repercussão dessas crenças entre os romenos ortodoxos. Há uma lenda que quando se deixa de comer ovos pintados na época da Páscoa, o diabo aparecerá.

O mito da Páscoa alimenta o imaginário e faz parte das representações arquetípicas presentes na psique humana. Além dos ovos pintados, ovos de chocolates, carne de carneiro, também são preparados pratos especiais que são servidos não apenas durante a Páscoa, mas também no período da Semana Santa. Essa culinária varia em cada país e a radiodifusão internacional em Ondas Curtas tem um papel importante na difusão dessa diversidade cultural.

Destaco o exemplo de um cartão QSL impresso pela Rádio HCJB Global, localizada em Quito, Equador (conf. imagem acima). A imagem retrata a “fanesca”, uma sopa tradicional daquele país preparada com “doze” tipos de grãos. É geralmente servida durante as comemorações da Semana Santa e os grãos representam os 12 apóstolos de Jesus. A Rádio HCJB – A Voz dos Andes (Global Voz), dedicou uma série de cartões QSLs temáticos a seis pratos típicos da tradição equatoriana.

Informações sobre as emissoras citadas nesta matéria: Rádio Romênia Internacional - Rádio HCJB

quinta-feira, 8 de março de 2012

Às Mulheres do rádio



Mulheres distantes, do outro lado do mundo
Mulheres que o rádio trouxe à minha sintonia
Traduzindo minhas palavras nas ondas do éter,
Lendo as mensagens que eu lhes escrevia

Mulheres de um tempo em que estive sozinho,
Mulheres divinas e de tantos encantos
Nas noites quando adormecia com o rádio ligado
Ouvindo suas vozes e também os seus cantos

Mulheres sem rostos, mulheres sonoras...
Preenchi suas faces com a imaginação
Suas vozes amigas saturam o espectro,
Em meio à interferência e oscilação

Mulheres radiofônicas das Ondas Curtas,
Vozes antenadas que escondem enigmas
Comunicadoras, mães, profissionais...
Mulheres de sonhos, grandes amigas

Fico feliz por um dia ter ouvido tuas vozes,
Receber tuas mensagens e conhecer o teu mundo
Parabéns pelo teu dia e por ser o que é:
SIMPLESMENTE MULHER!!

Antonio Argolo

sábado, 3 de março de 2012

A chegada da primavera e a despedida da Rádio Bulgária nas Ondas Curtas

Já estamos nos mês de março! Nesta data, todos os anos, ancorava minha sintonia nas transmissões internacionais da Rádio Bulgária, via Ondas Curtas, para acompanhar os festejos da primavera e as trocas das Martenitzas entre os búlgaros.

Ao som da Rádio Bulgária era possível não apenas ouvir as canções folclóricas e os movimentos das danças típicas, mas adentrar num mundo imaginário
para compreender o sentido das tradições culturais.

Dizem que quando Deus deu a terra para os humanos separou para os búlgaros um “pequeno pedaço do paraíso”. E, de fato, a Bulgária é um país encantador, povoado por várias gerações que deixaram um importante legado. Entre eles me encanta a diversidade arquitetônica, os costumes e as canções épicas que se reportam às histórias das civilizações.

Segundo a lenda, muito antes da Bulgária ser formada, havia um soberano cujo reino se estendia pelas margens do Rio Volga. Após sua morte o reinado passou à família composta por cinco filhos e uma filha. O herdeiro caçula, Asparuj, partiu da sua terra natal com numerosos seguidores em direção ao sul, atravessando o Rio Danúbio, onde fundou o atual Estado Búlgaro.


A notícia se espalhou, então sua irmã quis homenageá-lo. Colheu ramos de campainhas brancas – que desabrocharam no início da primavera –, amarrando-as com cordões vermelhos no pé de uma pomba branca, que deveria levá-los ao seu irmão. Como a chegada da primavera faz derreter a neve, despertando a terra para o renascer de uma nova vida, as flores enviadas a Asparuj simbolizavam o amor de sua irmã e o desejo de prosperidade, saúde e muitos anos de vida.


Ao receber a mensagem, Asparuj ordenou aos seus soldados que amarrassem em suas fardas pequenas borlas de fios brancos e vermelhos (Martenitza), nascendo assim uma tradição que permanece até hoje na Bulgária.


O nome Martenitza vem de “mart”, “março” na língua búlgara. A Martenitza é, portanto, uma borla de fios brancos e vermelhos, que simboliza a chegada da primavera na Bulgária. A cada primeiro dia de março essa lembrança é compartilhada entre amigos e familiares, que trocam entre si os votos de saúde, paz, felicidade e vida longa. Há também uma infinidade de souvenir e artesanatos decorados com as cores da Matenitza, que são utilizados para dar um clima mais
criativo à festividade.

Nessa perspectiva, desde 03 de março de 1930, a Rádio Bulgária estendeu para várias partes do mundo as mensagens da chegada da primavera, as tradições populares e a voz do povo búlgaro. Mesmo atrelada ao regime comunista – no período da Guerra Fria – a emissora teve um papel importantíssimo para a difusão da história, das tradições culturais entre elas as danças típicas, modos de vida, as artes, religiosidade e as canções líricas daquele país. Naquele período, ainda se identificando como “Rádio Sofia”, chegou a transmitir uma programação regular em português para o Brasil.

Hoje, dia 03 de março a Rádio Bulgária completaria 82 anos de transmissão. Porém, lamentavelmente, encerrou suas emissões internacionais em 31 de janeiro deste ano, quando também transmitiu pela última vez em língua espanhola para a audiência de Cervantes e Camões através das Ondas Curtas.

A partir de agora segue as mesmas intenções de algumas emissoras que abandonam suas emissões via Ondas Curtas para se dedicar à plataforma multimídia da internet. Para os radioescutas é mais uma voz que se cala, dentre os pequenos países que ainda encontram no rádio de Ondas Curtas a oportunidade de manifestar sua identidade cultural e pontos de vistas em paradoxo aos mass media.


Também não se deve esquecer que, mesmo diante das novas tecnologias da informação, o rádio ainda ocupa um papel importante nas sociedades modernas. Entre comunicação, informação e entretenimento, tende despertar a sensibilidade humana para dar sentido à vida e vencer os obstáculos de um mundo cada vez mais racionalista.


Antonio Argolo

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Radiodifusão Internacional: o Desenho do Mundo na sintonia das Ondas Curtas

Antonio Argolo Silva Neto

Nesta dissertação procuro investigar o imaginário e as visões de mundo concebidas pela audiência brasileira a partir das propostas de comunicação das rádios internacionais, que emitem para o Brasil na faixa das Ondas Curtas.

A pesquisa foi motivada pelos seguintes objetivos: identificar a finalidade das transmissões radiofônicas de outros países para o Brasil; investigar os desenhos e imagens que essas rádios possibilitam através da dimensão sonora e visual; analisar as percepções dos ouvintes acerca da sintonia estrangeira e suas relações de sentido no uso dessas linguagens para conceber o imaginário e as imagens do mundo.

Situando o conceito de desenho e imagem como representações mentais e visuais, delimitei a pesquisa em duas categorias metodológicas: “desenho mental” (radiofonia – as imagens sonoras) e “desenho visual” (radiografia – imagens dos QSLs). Sendo assim, procurei interpretar as imagens sonoras a partir da semiótica e as imagens “radiográficas” dos QSLs pelo método iconográfico, teorizado por Erwin Panofisky.

Então, utilizei com suporte técnico a sintonia, gravação e análise dos programas em língua portuguesa e espanhola nas Ondas Curtas; analisei os cartões QSLs procedentes das rádios estrangeiras a partir da década de 70; e os depoimentos dos ouvintes mediante a aplicação de um questionário semi-estruturado via pelo correio postal e eletrônico entre os associados do DX Clube do Brasil e da Lista Yahoo de Radioescuta.

O universo da pesquisa foi formado por 12 ouvintes, que responderam espontaneamente ao questionário e se constituíram na amostra, por possuírem hábitos de ouvir rádios internacionais e intercambiar mensagens e materiais com elas.

Os dados apurados indicam que a sintonia radiofônica participa de uma comunicação sedimentada em imagens, que contribui para conceber o mundo e o imaginário de sua audiência. Entre os anos 70 a início da década de 90 as imagens do rádio retratam um mundo utópico a partir das motivações da Guerra Fria. Não obstante às pretensões ideológicas, essas imagens retratadas nas pautas da programação e nos QSLs também atenderam uma proposta cultural coletiva, arquetípica, enfatizando as tradições culturais de vários países e o homem imaginário.

Com a nova conjuntura mundial, a proposta cultural radiofônica se amplia na propaganda turística, tradições, atualidades, política, religião e entretenimento. Isso é pontuado pelos ouvintes em suas experiências radiofônicas, como forma de se transpor mentalmente para os países irradiados, resgatar imagens sonoras, apreciar tradições populares e até contrapor informações veiculadas pela mídia convencional.

Na busca das relações de sentido, o ouvinte se encontra com o outro e consigo mesmo, pois o rádio se constitui numa extensão do próprio homem na mediação das suas necessidades e experiências coletivas. Veja o texto original da dissertação acessando o site http://www.sarmento.net.br ou clicando diretamente no link abaixo: http://www.sarmento.net.br/Documentos/DISSERTA%C3%87%C3%83O_ANTONIO_ARGOLO.pdf

Palavras-chave: Comunicação, Cultura, Imagem.

domingo, 13 de março de 2011

O desenho do mundo na sintonia das Ondas Curtas

Atualmente, os meios de comunicação exercem grande importância não só na veiculação de notícias, cultura e entretenimento, mas também na nossa forma de ser e conceber o mundo. Isso nos faz refletir sobre as imagens que a mídia disponibiliza sobre o mundo e o quanto elas nos aproximam ou distanciam dele.

É preciso também repensar sobre o papel dos veículos tradicionais, como o rádio de Ondas Curtas. Qual o elo que o aproxima da natureza humana, como ele se ocupa na difusão das imagens mentais e visuais (seja através da sintonia, QSLs e materiais iconográficos) e como os ouvintes se apropriam dessas imagens rádio-iconográficas para construir suas visões do mundo.

Por isso estou pesquisando as rádios internacionais via Ondas Curtas através de uma dissertação de Mestrado sob o tema: Radiodifusão Internacional: o desenho do mundo na sintonia das Ondas Curtas”. Essas emissoras tiveram uma importante função social durante as guerras mundiais. Atualmente seus programas possuem ampla possibilidade para difundir culturas, músicas e contrapor visões de mundo de países distantes.

Diferente de mídias como a televisão e internet – onde se podem ver as imagens –, no rádio o ato de ver é estimulado pelo imaginário. Ouvindo o rádio o ouvinte “desenha na mente”, ou seja, imagina como são os radialistas, imagina como vivem as pessoas, como são as paisagens, a sociedade e as culturas dos países sintonizados. Por isso, esta pesquisa trará grande contribuição ao revelar como isso acontece e qual a importância desses programas na construção da visão do mundo dos ouvintes brasileiros.

Estou interessado pelas opiniões dos radioescutas brasileiros que sintonizam as rádios internacionais e sempre interagem com elas, seja participando dos seus programas, recebendo QSLs e outros materiais. Caso você tenha essas experiências e histórias de vida a partir da sintonia radiofônica, gostaria de convidar-lhe para participar de forma espontânea desta pesquisa.

Através dos links abaixo, você poderá acessar o questionário e o Termo de Consentimento desta pesquisa. Para salvá-los utilize o menu File e escolha a opção Download as... Word. Pode enviá-lo através do nosso e-mail: dxargolo@yahoo.com.br. Ressalto que meu prazo de análise dos questionários é até metade do mês de maio de 2011. Caso possa enviá-lo antes desse período fico agradecido.

Link do questionário:

https://docs.google.com/document/d/1aftdezU46mSdtDSKj0ayYw0QwzTFlmORCzI9C6Vg5Y4/edit?hl=en#

Link do TCLE:

https://docs.google.com/document/d/1nKaovhVi8DKc17dR8pDJdxZooih0hIpzwnNGSfTy8M8/edit?hl=en#

Antonio Argolo Silva Neto

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Landell de Moura é retratado em selo postal

No dia 21 de janeiro passado, o Correio brasileiro lançou um selo comemorativo aos 150 anos de nascimento do Padre Landell de Moura. Sem dúvida uma data emblemática tanto para homenagear esse precursor da radiodifusão, como para evidenciar a importância do rádio, que mesmo diante das novas tecnologias continua exercendo um importante papel na comunicação social do planeta.

Roberto Landell de Moura, natural de Porto Alegre – RS, foi ordenado Padre em 1886. Época em que estudou Teologia, Física e Química na Universidade Gregoriana em Roma, Itália. Segundo registros históricos, Landell era um entusiasta da rádio-eletricidade. Sem qualquer ajuda financeira projetou e desenvolveu vários aparelhos de comunicação sem fio.

Suas experiências começaram desde o final do século XIX. A partir de então, os projetos de Landell se destacaram como as primeiras experiências na difusão da voz humana, a distância, através de transmissões sem fio. Naquela época, as invenções desse brasileiro chegaram a superar os principais modelos de transmissão radiofônica em evidência. É o exemplo do modelo de transmissão em código Morse desenvolvido por Guglielmo Marconi e também a criação de uma válvula, pelo canadense Reginald Fessenden, que permitiu a difusão da voz humana na radiodifusão. Landell de Moura conseguiu antecipar todos eles.

Segundo nota divulgada no site do Correio: “Apesar das inúmeras dificuldades, patenteou os seus inventos no Brasil (1901) e nos Estados Unidos (1904). Nas cartas patentes, Padre Landell recomendou o uso de ondas curtas para aumentar a distância das transmissões, um fato que seria reconhecido mais tarde por outros cientistas. Também transmitiu mensagens através da luz, o mesmo princípio usado modernamente nas fibras ópticas”.

Em 30 de junho de 1928, Landell de Moura faleceu no anonimato. Embora sua obra e pioneirismo não seja reconhecido oficialmente no âmbito mundial, os seguimentos da radiodifusão brasileira lhe conferem o status de “pai do rádio brasileiro”. Pela ocasião da comemoração dos seus 150 anos de nascimento, ele vem recebendo várias homenagens de pesquisadores e profissionais das comunicações. Durante este ano, sua vida está sendo contada em vários livros e também nessa homenagem oportuna que o Correio Nacional está fazendo através do lançamento desta estampa filatélica.

É interessante que o público que aprecia a radioescuta e o Dexismo prestigiem a história da radiodifusão brasileira e conheça um pouco mais sobre a vida e obra de Landell. Isso pode ser feito através de sites de busca na internet ou até mesmo comprando on-line o selo comemorativo no site do Correio pelo valor de R$: 4,20.

Mais informações sobre a estampa:
O selo retrata o Padre Landell de Moura falando ao microfone no “transmissor de ondas”, um dos aparelhos por ele inventado. O desenho foi composto utilizando uma imagem do Padre Landell (busto) e do aparelho, criando uma montagem complementada com pintura digital, numa reconstrução da realidade. Ao fundo, são reproduzidas a patente obtida em 1904, nos Estados Unidos, e a planta do aparelho. No lado esquerdo inferior, uma onda de rádio modulada em amplitude – ou AM, do inglês Amplitude Modulation, transmissão da voz humana a longas distâncias sem utilização de fios. A ambientação em tons de sépia, a moldura em tom dourado e a fonte manuscrita nos remetem à época, final do século XIX. Foram utilizadas as técnicas de fotografia e computação gráfica.

Referências:
http://www.correios.com.br/selos/selos_postais/selos_2011/selos2011_03.cfm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Landell_de_Moura